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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Das Preparações Histológicas - Fevereiro 13

Despertadores nunca foram meu forte, atesto; mas tive a impressão de sonhar com algo do bem, por assim dizer. A monotonia do despertador foi desequilíbrio perverso, fino, entre o magnetismo dos lençóis e o frio lá fora. Aceitando a carona de meu amigo Cory, eu adiaria por mais um dia a caminhada gelada pela madrugada da Canton Avenue, para pegar o ônibus da Joseph’s Transportation.

À tarde terminamos o que demos início ontem: cortes de pulmões, coração, rins e baço de ratos, fixados em formol, devidamente identificados, e transmitidos para as cassetes, também imersas em formol, no imediato. Almocei o que guardei da comida chinesa de sábado, a qual comprei na busca por arroz: um simples excesso. O fato de haver comida brasileira em Stoughton Town não me liberou do arroz japonês; talvez pela distância, talvez pelo preço. O fato é que voltarei, ainda, nem que seja pelo cartão telefônico "Voz do Brasil", lá vendido. Embora nada substitua o Byriani indiano - à base de arroz-, minhas economias distraem a atenção para opções mais populares.

O formato que o corte dos pulmões tomava nos remetia às remotas aulas de histologia no Instituto de Biomédicas (refiro-me às ciências!) da indissolúvel Universidade de São Paulo. Fomos tomados de um entusiasmo mergulhado em uma nostalgia-formol, que rápido passou – refiro-me à nostalgia - , mas deu um toque de simplicidade em minha tarde. O café cheiroso – flavored – do décimo terceiro andar, acabou. Ninguém disse que só viriam notícias boas, mais para mais do que para menos; a impressora que o Edgar trouxe não quer puxar as folhas. Paciência.

 A conferência do meio dia teve como tema uma pesquisa sobre hipersensibilidade, do tipo IV, salvo engano; atrativos padrões norte-americanos de ordem nutritiva foram gentilmente oferecidos – lunch provided; diga-se chips, sanduíches, coca-colas e gordos cookies.

Alguns, vendo meu histórico comportamental – que não se elabore tal documento –, dirão que minha desistência das aulas de línguas é uma repetição observada anteriormente em São Paulo. Eu me defendo: quanto mais gosto da matéria, mais cobro da aula e menor é a aderência, de fato. Reitero que a evasão é saudável, e é de direito,  pois que eu ocuparei as horas estudando no meu compasso, que, para o bem ou para o mal, está calibrado com a minha velocidade. Essa semana devo terminar de ler Maigret et la Jeune Morte, que se enquadra na frente de estudos que chamei de francesa. A frente russa vai aos passos tímidos, escassos, minguados, apoucados, дефицитный, e a latina, experienciando uma pausa. Permita-me que compartilhe uma sensação épica: aprender gramática do latim com o texto original da Guerra de Troia; excelente. Quantos ao inglês, planejo mexer na gramática da casa dos O’Hayer, em breve, utilizada pelo Cory há alguns anos.
No mais, limpou-se o laboratório ao lado, pelo que observei do movimento de entra-e-sai, e com que empenho! Dir-se-ia mais tarde, um transeunte, que a inspeção intransigente de Harvard passaria amanhã; e dissolve-se minha impressão de coincidência, como numa manobra de limpeza.

Não vejo a hora de ir para São Francisco... Impressões da baixa claridade. A noite caiu como uma luva e eis que paira um cansaço criativo sobre o ambiente, como quem não quer nada.

2 comentários:

  1. Mas como e que estes pulmoes assumem essa forma triangular profesora?
    Veja bem aluninho, depende do ponto de corte! ahaha

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    1. Hahaha, solilóquio de dois pulmões, ou filosofia dos cortes histológicos :)

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